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Motion design·Os princípios da animação 3/5·3 min de leitura·

A temporização é a emoção: conte os quadros

Doze quadros e vinte e quatro quadros levam um card pela mesma distância e dizem coisas opostas. Um guia curto de temporização, em quadros.

Felipe RisallahFundador do FRISORead in English

A temporização é o princípio que soa mais técnico e é o mais emocional. É o número de quadros que uma ação leva. Deixe o mesmo gesto mais lento e ele se lê como tristeza, cuidado ou peso. Deixe mais rápido e ele vira energia, urgência ou raiva. Nada mais mudou: o mesmo desenho, o mesmo caminho.

Em Fala, Vô! tem um plano em que o neto, deitado no sofá, fecha os olhos bem devagar. Dura dois segundos, quase não tem movimento, e é um dos planos que as pessoas lembram. A temporização, junto com o som, carregou o momento inteiro.

O mesmo movimento em 6, 12, 24 e 48 quadros. E o último, em dois.

Um ponto de partida, em quadros (a 24 fps)

O que se mexeQuadros
Um elemento pequeno de interface: um toggle, um ícone, um check6 a 12
Um card entrando no quadro18 a 30
O atraso entre um card e o próximo (escalonamento)2 a 5
Uma transição entre dois layouts60 a 90
Um movimento lento de câmeraa cena inteira

Não são regras, são um ponto de partida. A ideia é decidir em quadros em vez de em sensação, e depois quebrar os números de propósito.

Dê tempo para o olho ler

O erro de temporização mais comum nas redes não é a velocidade, é a pausa. O texto precisa ficar parado tempo suficiente para ser lido: mais ou menos um segundo para um título curto, e um pouco mais para cada palavra a mais. Uma peça que se mexe lindamente e nunca para é uma peça que ninguém lê.

Temporização como estilo: animar em dois

Homem-Aranha no Aranhaverso sai a 24 quadros por segundo, mas muitos personagens são animados a 12, cada desenho segurado por dois quadros. O resultado é um pouco rígido de propósito, e se lê como quadrinho. O estilo de papel e o stop motion usam o mesmo truque: segurar quadros é escolha, não defeito.

Partes desta série vêm do TCC de Felipe Risallah sobre a produção do curta 3D Fala, Vô! (Cinema e Audiovisual, UFES, 2023), e do livro The Illusion of Life: Disney Animation, de Frank Thomas e Ollie Johnston (1981).

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